quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Curando o Trauma



Há muito que se houve que com poucas coisas podemos traumatizar um ser humano ainda mais se ele for uma criança. Fiquei pensando no significado de trauma, porque muitas vezes nem mesmo temos a lembrança de algo que nos incomoda inconscientemente  . O problema na palavra trauma, seria a marca. Sim, esse nome poderia ser usado para isso. Um ser humano marcado por algo.

Uma marca que muitas vezes somente o mais profundo daquela pessoa pode denunciar, por vezes nem ela mesma sabe o que causa a aparência dessa marca em determinadas situações . Ficar atento a você e as pessoas que com você convivem , seria importante para que pudesse haver o máximo de resolução.

Lembro que eu era uma criança bastante feliz, comunicativa e por vezes entrava nos ônibus da   vida, com minha tia ou a minha avó a cantarolar. E elas deixavam, pois meu jeito bem dócil quebrava qualquer gelo. Fosse numa viagem distante ou rápida.

Tinha muita satisfação em conhecer os motoristas e saber seus nomes e brincar com os passageiros . Talvez eu já tenha feito tantos amigos "passageiros" nos dois sentidos em minha infância, quanto fiz conhecidos na vida adulta. Digamos que eu era uma criança marcante e absolutamente educada.

Sinto e sei que era um prazer para elas passearem comigo, pois durante um tempo eu tive a linda missão de alegrar a vida delas.

Num dado momento da minha vida, quase deixando a infância e trocando as brincadeiras por um sutiã eu comecei a demonstrar os primeiros sinais de "rebeldia" que por vezes foi interpretada como exagerada. Eu estava começando a entender certas coisas , mas apesar disso tinha que começar a conviver com o absoluto silencio, que mais uma vez foi interpretado como fazendo parte absoluta, de uma adolescência precoce .

A criança feliz, e cheias de cantorias já era triste, complexa. E viajar , sorrir ou conversar não era mesmo mais uma opção legal. A vontade de ficar calada era real. E as pessoas tendem a deixar os problemáticos de lado. E por minha natureza extremamente educada, nas boas ou nas más situações eu jamais iria falar algo que não me fosse questionado.

E crescendo assim calada entre um rompante e outro era que se ouvia minha voz. As vezes um pouco monstruosa, não sei ao certo.  Mas a raiva que naquele momento eu nutria em especial de minha mãe me fazia ter um timbre bastante intimidante e uma postura um tanto louca. O que afastava de vez as pessoas de perto de mim.

Pensava que se eu não podia chamar a atenção das pessoas de forma saudável já que isso eu não era mais, eu chamaria de alguma outra forma. E foi saindo com pessoas erradas, indo para lugares duvidosos  que encontrei uma maneira de fazer minha família se preocupar comigo e talvez me dirigir nem que fosse uma dura palavra de ofensa, que mesmo me machucando me fazia ter a sensação de pertencer a algo ou alguém.


Onde quero mesmo chegar com isso. É que eu sei que deixei muitas pistas pelos caminhos, sei que tentei com todas as minhas forças sair daquela situação constrangedora de ser molestada muitas vezes pelo meu padrasto. Tentei do meu jeito e até mesmo repetindo de ano que me perguntassem o que poderia estar havendo de errado. E mesmo assim eu temia dizer , devido as ameaças, mas eu acreditava que meus olhos diriam as coisas para quem neles olhassem .

Eu sei que em algum momento você deixou as pistas que ninguém pegou. Ou que infelizmente ignoraram. E o tempo cruelmente vai passar com a marca da tua dor, sem que ninguém queira
cura-la. Sei que milhões de vezes você foi julgado e mal interpretado . E assim escolheu fugir dos julgamentos.

Nessas lutas constantes contra você mesmo , você se perdeu dentro de si. Já se fechou para o mundo, ou se abriu demais para pessoas que podem te oferecer o máximo de problemas. Afinal, agora você precisa de alguém mais problemático que você para que cuidando ou achando isso, se sinta mais útil.

Enfim, temos duas escolhas. Eu tive. Portanto você também. A vida vai passar com você fazendo ou não fazendo algo pela sua vida. Antes de testar se entregar totalmente, teste lutar completamente. Sei que nada parece favorecer, mas sim favorece. Contando que enjoemos de sermos vitimas, contanto que queiramos ser autores da própria história .

Se tão somente eu não fizer nada , alguém vai escrever minha história para mim. Determinar meu final, ditar as minhas regras. E isso pode ser ainda mais fatal que passar por qualquer tipo de trauma. Não, não posso ser hipócrita em dizer que não ficará absolutamente nenhuma sequela, pois ficará. E as vezes ela te trairá e te fará se sentir feio , mas é ela que nos lembra também que a luta não acabou.

Que a missão interna  é contínua. Que a exigência pessoal é maior que a externa. Sair da vida melhor do que entramos é uma boa motivação.  Ainda acima disso. Concentrar forças em algo que faça valer a pena, mais  para nós do que para os outros.

Se seu sonho é a faculdade que seja. Faça-a! Simplesmente gaste um tempo nisso. Se for uma família lute, mas construa uma. Seja o que for, comece a construir. A cura vem quando nos colocamos em ação. E essa ação soa para nós como  super, (acima das forças), muito além do que seriamos capazes, se não fosse juntar ação e super o  resultado não daria Superação.

O processo de cura é tão continuo quanto continuar trabalhando e vivendo os dias que nos foram dados.

Seus filhos, seus pais e as pessoas que te amam ,  precisam saber que apesar de seu amor por eles, você precisa da paciência deles para que o ciclo vicioso não de continuidade .  Principalmente crianças precisam entender as coisas da melhor formas possível.

Não sejamos  traumatizados, não sejamos pais traumáticos.

Abuse dessa comunicação , isso também ajudará a vermos as palavras não só na nossa mente, mas de forma clara colocada para fora.

Temos muito o que continuar nesse assunto ainda e iremos, mas agora que tal um café ? (risos)

Boa Sorte!

Suellen L . Maper

sábado, 7 de janeiro de 2017

O que a Mídia me vende eu não compro



 A mídia vende para nós ainda em tenra idade o que "seria" um cabelo perfeito, um corpo ideal, um rosto bonito e uma vida dos sonhos. Com isso crescemos acreditando no que nos foi imposto e assim achando sermos tão diferentes ,seguimos acreditando que somente nós somos assim . Por isso vamos em busca do que nos é imposto.

Na maioria das vezes ficamos ansiosos, porque a não aceitação é mais complicada ainda do que tentar correr atrás das mil cirurgias que nos colocará  na medida certa para competirmos internamente é claro, com as pessoas que a mídia coloca  como padrão de beleza.

Hoje podemos ver um pouco mais de beleza variada, mesmo assim ainda estamos distantes de aceitar o que é diferente, aquilo que nos foi imposto e que as vezes nós nem mesmo somos, mas não queremos ver nada que seja contraditório aquilo que já nos adaptamos ver.

Precisamos mudar isso com a máxima urgência , precisamos implantar nos corações de nossos filhos que beleza está muito além de tudo que vemos por aí. Que é nossa a dificuldade de encarar o que não está na mídia aparecendo com constância .

Quando era pequena tinha uma cabelo bastante complexo, pois além de bastante cacheado era muito volumoso, e ja sabem né? Uma criança não sabe bem cuidar de seus cabelos e exatamente por não ter um cabelo lisinho como mandava o '' figurino'' eu ganhei vários e vários apelidos. Talvez por isso durante anos usei minhas madeixas bem presas e fora do alcance de piadinhas.

Anos mais tarde quando aprendi a cuidar de meu cabelo, vi que poderia fazer muitas coisas com ele. Aprendi a diminuir seu volume, ou até mesmo aumentar, sim aumentar, porque hoje em dia me sinto a vontade para usa-lo de várias formas. Não somente cacheado, não somente escovado, não somente preso num lindo coque , nem solto. Meu cabelo se tornou algo divertido , no qual brinco com vários penteados e assim quase nunca me veem do mesmo jeito.

Isso demorou bastante tempo, quando tinha dez anos tinha um black power muito interessante , num rosto de menina branquinha, de olhos castanhos bem claros e sorriso amigável . Bem longe do padrão da mídia, porém com minha beleza real. Quando comecei ganhar meus primeiros elogios pela segurança com que andava por aí fui me tornando mais feliz comigo no geral.

Hoje na maioria das vezes uso meu cabelo de forma prática , mas sem problema nenhum caso ele tenha que se mostrar como é. Para isso foi preciso muito trabalho dentro de mim, foi preciso acreditar que mesmo longe de tudo que representasse o mundo da beleza eu era sim linda e poderia ser feliz comigo mesma.

Num desfile de moças bonitas da minha cidade no ano de 1998 , alguém me disse que eu tinha um rosto muito bonito, mas não me encaixava nos padrões de corpo bastante magro exigido pela agencia.  Eu não era gorda, nem mesmo gordinha, apenas tinha muito busto e um pouco de quadril a mais . Mesmo assim não desisti. Contei para minha mãe o que ouvi na inscrição e logo ela me apoiou a ponto de me fazer desfilar.

Eram muitos os desafios, timidez a ser vencida, cabelo e postura. Depois de pouco mais de três meses lá estava eu desfilando com muitas garotas lindas. E para minha surpresa, sim, ganhei em primeiro lugar aquele desfile de 1 .Garota Rodeio, do ano de 1998 . Era um rodeio de temporada, por isso não era Rainha, mas era equivalente a isso naquele concurso.

Muitas vezes depois fui convidada e desafiada a participar de concursos de belezas, até desafios fora de concursos faziam comigo, falando que eu estava entre as moças mais bonitas da cidade, outros dizendo que eu era a mais, enquanto uns diziam  que eu estava entre elas e assim fui crescendo e preferindo  me afastar dos elogios exagerados que queriam me fazer aceitar.

Eu preferia os elogios reais, daqueles que quando você passa um tempo com alguém e pensa que ela tem uma luz marcante.

Depois daquele desfile tive a consciência que o preço que se paga para ser o primeiro em algo é muito mais do que eu queria, pois entendi que queria ser a primeira para mim, a primeira dentro de mim, queria eu mesma fazer minhas exigências queria eu mesma ditar minhas regras. Não,absolutamente não queria viver de dietas loucas, com cabelos extremamente ditados por alguém como deveria ser tudo,

Mas toda experiência é válida e isso foi importante para amadurecer as coisas dentro de mim.

Por todas essas coisas acho importante começarmos a bater de frente com a ditadura da beleza, comprar bonecas diferenciadas, conviver com todos os tipo de pessoas, cores, raças, religiões. Mostrar o belo no que de fato é belo. No coração, na amizade , no diferente.

Só podemos cobrar um mundo mais justo se começarmos a fazer justiça com as pessoas e com a gente mesmo. Se ensinarmos nossos filhos que com ou sem olhos azuis ele é lindo e assim por diante. Elogios isoladamente faz bem melhor do que elogios forçado por uma maquiagem, por uma roupa, por um objeto e sucessivamente.

Claro que pinto o cabelo a meu gosto, hora deixo natural, lavo e não escovo, outra escovo. Claro que se precisar para que eu somente eu, me sinta bem farei uma plástica se o local me incomodar muito. Mas seu eu estiver bem comigo mesma, jamais em circunstância alguma farei algo para agradar uma sociedade que eu mal conheço e que de nada me agrada.

Na tentativa do igual somos todos diferentes, na tentativa do diferente somos todos iguais. Ser a essência é a única coisa que difere o natural do artificial.

Suellen L. Maper.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Filhos precisam de amor, mas não o amor que damos



Filhos precisam de amor, mas não o amor que damos como mãe superprotetoras e sim o amor na medida em que nasce a necessidade dele. Temos filhos com personalidades variadas, filhos mais carinhosos e outros mais independentes. Ambos precisam de muito amor, mas não como queremos e sim como eles necessitam.

Temos filhos que apesar de muito amados por nós , se sentem carentes e necessitam de mais e mais demonstração e todo afeto do mundo é o que o faz seguro e crescendo mais saudável, enquanto temos filhos que são mais independentes emocionalmente. Gostam de ficar mais quietos, observando o mundo e sendo feliz mais introspectivos. E não raro, temos os dois tipos de filhos em  nossa  casa.

Quando somos o tipo de mãe muito protetora podemos sufocar nosso filho que tem a personalidade mais forte, ou mais introspectiva, é claro que ele precisa de muito amor, mas ele é o tipo de filho que vai observar mais as atitudes, analisar o amor em várias formas. Ele quer concretização do que você prega, nos seus atos. Então, dizer algo e fazer outro algo pode o frustrar profundamente.

Fique Atenta.

Neste caso seria difícil para ele aceitar seus abraços, seus beijos, enquanto você talvez brigue com seus próprios pais , pois amor para ele deve ser dedicado a todos, ele gosta da igualdade e não quer nem mesmo disputar com o irmão. Simplesmente deseja viver num ambiente de justiça. Justiça geralmente é a melhor forma de faze-lo se sentir amado neste mundo.

Enquanto isso podemos ter filhos muito sensíveis ao toque e  as palavras e que apesar de também observar, ele se sente seguro ouvindo os ''eu te amo'' da mãe, sentindo seus abraços apertados, seus beijos fortes. Filhos assim precisam constantemente de todo carinho que há em seu coração. E mesmo recebendo amor de todos, sempre vai preferir o seu amor. Eles vão nos  defender como leõezinhos bravos, pois o amor da mãe  é o combustível para que prossigam.

Muitas vezes esses filhos ou filhas buscam se relacionar com quem tem traços parecidos ao nosso. Mesmo as meninas inconscientemente se relacionam com meninos que tenham sido criados parecido com a forma que ela foi. Os meninos com mais probabilidade ainda, procuram traços parecidos com os da mãe dele. Casos como esses  são daqueles filhos que comemorará todos os natais  possíveis da vida dele junto a nossa.

Mesmo assim os filhos independentes também tem seu valor e charme, são os filhos que talvez temos ou teremos  dificuldade de reunir para os natais e festas de família, pois sempre estará ocupado com algum trabalho que ele realmente leva muito a sério. E ele se sente satisfeito e orgulhoso por não depender de ninguém, por não nos fazer ter gastos com ele e essas coisas todas, que sim , são importantes para ele se reafirmar no amor. E dizer assim que nos ama.

Esse filho também ama e ama muito, mesmo que a demonstração dele seja de simplesmente ser bem resolvido e não te forçar a sofrer por ele. Em geral ele não gosta de nos preocupar com nada, nos conta as coisas somente quando estiver tudo resolvido. E acredite, em todo tempo ele está pensando em nós como mãezinha deles e fará tudo   para que não sofra. E essa é a maneira que ele julga que nos  sentimos e até entendemos o amor dele.

Ambos os tipos de filhos precisam ser reconhecidos por nós que somos a mãe. Eles precisam ser entendidos. E mais que isso precisam ser aceitos. Isso é deles e eles vão se perturbar caso você insista em ser uma mãe igual para todos os filhos. Sim , nosso  amor é igual, mas o que digo aqui, é que devemos estudar a personalidade de nossos filhos. Devemos querer trata-los como eles gostariam de ser tratados.

Se insistirmos em ser muito reservada com um filho muito ''carinhoso'', vamos faze-lo sofrer por muitos anos, pois ele tem necessidade de abraçar, tem necessidade de afeto, tem necessidade de demonstração de amor. E uma necessidade não atendida pode causar danos graves. Infelizmente esse filho pode até mesmo produzir fontes doentias para alimenta-lo. A necessidade de abraços e amor que ele tem é real, não podemos ser omissas.

Já uma mãe reversada ou contida, para um filho mais introspectivo pode ser ideal, ele vai analisa-la, vai observar sua forma em geral com ele e com todos. Claro que também vai precisar ouvir ''eu te amo'', mas não será necessário a todo momento. Ou isso soará falso para ele. Creio que nas chegadas e despedidas já esteja de bom tamanho. Ele se contenta com tudo que se pareça mais realista possível.

Filhos mais afetivos, precisam de mães mais afetivas, caso você seja reservada, pelo menos com ele tente ser mais falante ,mais amigável, demonstre mais, isso é saudável para ele. Se esforce pelo menos por esse filho que você já identificou mais "afetivo", ou que demonstra mais os sentimentos dele. Ele nasceu com uma missão mais sensível e precisa que você dê a ele a medida que ele deseja. Não é a medida que queremos e sim a medida que eles necessitam.

Mães mais afetivas podem fazer um bem muito grande a filhos que já devem ter puxado o emocional delas (risos) esses filhos são programados para isso e seria muito ideal a mãe demonstrar o quanto o filho desejar que demonstre , ressalto o quanto o filho desejar.

E não nós. Sabe quando nossos filhos são pequenos e nós o beijamos muito e ele depois de um tempo tenta se soltar de nós? É mais ou menos isso. Sempre teremos um sinal de alerta para parar e respeitar a medida deles.

No mais, eu desejo mesmo que toda mãe conheça bem seus filhos, pequenos e adultos. Eles crescem, mudam muito. As vezes estranhamos as pessoas que nós mesmas colocamos no mundo, mas se soubermos identificar a necessidade deles, seremos o tipo de mãe na medida certa e sempre conheceremos o que é nosso. Seremos a mãe que não é invasiva , mas que se faz necessária nas necessidades, nada mais coerente que se fazer necessária quando se há mesmo necessidade. E não criamos necessidades fantasiosas para nos encaixarmos.

Que possamos ser as mães que nossos filhos precisam.

Boa sorte!

Suellen L Maper


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mães Não Sabem Tudo



Ah eu sei que palavra de mãe vale muito e tem muito peso, mas... Sim, mãe não sabe tudo e não, não é tudo que mãe fala que vai acontecer. Porém, alerto para que se sua mãe insistir no mesmo assunto, daí sim você comece a ficar atento com o que está sendo dito .

Não é novidade que sua mãe está aqui muito antes de você e que ela já viu e até mesmo passou por coisas que você ainda não .E ela sabendo que o caminho te levará a algo ruim somente tenta te proteger de viver o mesmo que ela ou alguém que ela viu vivendo passando de  ruim.

Mães são em geral sentimentais, mais que isso, são sensitivas mesmo. Elas sentem e intuem ao mesmo tempo, aquela coisa que geralmente ela não sabe explicar , mas sente , na maioria das vezes tem fundamento. Todavia, mães também se enganam, por diversas razões. Talvez aquele não foi um bom dia para ela e ela humana como todas, poderá emitir algum juízo de valor sobre você , seus amigos ,ou  alguém que anda conhecendo e que não corresponda totalmente com a verdade dela.

Conheço alguém que queria muito que sua filha fizesse um bom casamento. A filha conheceu um rapaz que tinha recursos financeiros ótimos. Ele presenteava a garota, em geral com  presentes que pessoas comuns trabalham muito para conseguir, como por exemplo : Carro, viagens caras e assim por diante.

A mãe fez muito gosto no relacionamento e não lutou pela filha como deveria, deixou-a a sair de casa muito cedo e com isso colher suas consequências de total dependência afetiva e financeiramente de outro alguém.

O resultado disso tudo , são as queixas da mãe que sabe que se deixou levar pelas aparências e é obrigada a assistir um relacionamento conturbado, pois não ouviu sua intuição que gritava dizendo: "Espera mais um pouco, conheça melhor o rapaz."

Outro caso interessante é o de uma mãe que não acreditava que certa mulher poderia ser boa o suficiente para seu filho, pois ela havia criado expectativas com a mulher que ela gostaria de ter como nora, sem se interessar em descobrir qual era realmente os desejos de seu filho.

Algum tempo depois quando ela conheceu aquela que seria esposa de seu filho e cuidaria dele para sempre, pelo menos esse pra sempre foi até a morte , logo foi dizendo pra moça coisas que a deixava cada vez mais desconfortável e até cartas de ex namoradas do seu filho ela mostrava para jovem.

O tempo passou e eles resistiram ao sentimento e logo ela percebeu que tinha em sua família alguém raro e distinto, que não se abalou com provocações, pois seu sentimento de nobreza era maior.   Quando a senhora mãe adoeceu depois de longos anos de convivência, a jovem se prontificou a cuidar de sua sogra e não somente isso , esteve com ela por todos os dias de sua vida , grata e amorosa até que a mãe de seu amado se fosse.

Casos assim e até melhores estão cheios por aí. Por isso não acho uma atitude bacana a mãe assumir como general o poder do "Eu sei de tudo". Não , não sabe não. Eu e você como mães sabemos que não sabemos de tudo, que nossa palavra nem sempre está certa e que temos que analisar as coisas que envolvem o mundo de nossos filhos com muito carinho e honestidade.

Caso não formos honestas com relação ao que pensamos sobre as coisas que nossos filhos vivem podemos tirar deles oportunidades que talvez eles não terão mais e nós teremos motivos ocultos para nos remoer, pois saberemos o que fizemos. Penso que por pior que seja nossa visão sobre algo, devemos tentar ao menos buscar coisas positivas naquilo que é alvo de nossas negações.

Mas em nenhum momento eu minimizo aquela intuição que está acima de nossos julgamentos humanos, aquela sensação que temos de vida ou morte , apesar de dramática também real sobre algo relacionado aos nossos filhos. E sabemos diferenciar essa sensação da mera impressão que tivemos sobre algo ou alguém e nessa impressão nos sentimos no direito de  dizer que temos razão como mães. 

Mães nem sempre tem razão, as vezes está tão certa sobre algo que prefere negar para si mesma aquele perigo ou aquela sensação boa, ou as vezes está tão errada sobre algo que custa admitir que falhou , como se mãe fosse uma super heroína diferente das humanas, só porque se tornou mãe, acha que não pode errar . Isso infelizmente é desculpa para continuar sendo uma mãe possessiva. 

Uma mãe saudável sabe sua hora de bater na mesma tecla, sabe esperar para opinar sobre algo, sabe ser desnecessária para que seu filho ou filha aprenda mais a selecionar seus relacionamentos, amorosos ou de amizades. Uma boa mãe sabe que não sabe de tudo, mas sabe que quando sabe de fato vai provar que estava certa. 

Se é uma questão de tempo a verdade aparecer, então deixe as coisas aparecerem no seu tempo. Os filhos acima de tudo devem respeitar a opinião de suas mães, elas além de serem mais experientes , são em geral as  pessoas mais leais do mundo com seus filhos. A opinião de uma mãe deve ser encarada sempre como bem vinda, ainda que não seja totalmente correta, é a opinião de alguém que te ama e se importa muito com sua vida.

O importante é saberem se relacionar nas opiniões de ambos. E admitirem seus erros, isso cria mais segurança no relacionamento. 

Boa Sorte!

Suellen L Maper



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Educando



Sempre achei importante a presença dos pais na vida dos filhos, eu acreditava que as crianças cresceriam mais saudáveis se tão somente eu pudesse ser muito presente. Talvez, por ter sentindo a ausência de meus pais na infância eu julguei por mim o que era de fato presença.

Com o passar do tempo eu entendi que isso tem mais a ver com a qualidade da coisa, do que realmente com a quantidade de tempo que passamos em casa ao lado de nossos filhos.

Claro que quando eles são bem pequenos, não temos outra questão em mente a não ser a de não desgrudarmos deles. Afinal, eles são tão desprotegidos né? Acontece que com o tempo nós mães não percebemos muito bem, mas eles vão amadurecendo , vão ficando independentes.

Por vezes queremos não perder nada deles, mas nisso perdemos muito de nós. Quando bater a nossa crise existencial nós nem mesmo saberemos por onde começar, pois nos anulamos completamente.

Uma maternidade saudável tem muito mais a ver com a forma como você se trata diante das pessoas, seus posicionamento diante da vida vai contar muito para seu filho.

Hoje ele absorve as coisas inconscientemente, mas chegará um tempo que isso ficará claro para o adulto que um dia foi criança.

Nem superproteção e nem ausência são boas coisas para um criança. As vezes estamos presente de corpo, mas estamos envolvidos em outro mundo, estamos mexendo no celular, computador, estamos dando mais atenção para as pessoas virtuais do que para nossas mini pessoinhas. O que é mais revelante nisso, é que eles irão acabar fazendo o mesmo e nós não saberemos o que fazer.

Não creio que temos que ficar grudados a eles, mas também não devemos deixa-los ao acaso. Creio que quando nossas rotinas começarem a voltar ao normal precisamos colocar regras e limites , desde que a troca seja saudável. Quem trabalha em casa precisa deixar claro para criança que aquele momento é de organização das tarefas domésticas, ou até mesmo do trabalho virtual, ou manual.

Precisamos fazer com eles entendam que não é porque estamos em casa que somos completamente deles. Eles tem o momento escolar, mas na férias ou em outros momentos nossas atividades não param, então eles precisam crescer treinados a respeitar nosso espaço. E tudo isso pode ser bem resolvido com diálogo.

O mais importante disso tudo é depois tirarmos um tempo exclusivo deles, um tempo em que daremos algumas opções de lazer para eles e que seremos somente deles. Nas brincadeiras, assistindo um filme, pedindo ajuda simples na cozinha, algo que faça eles terem a sensação de pertencimento e exclusividade. Isso os deixará seguros e ao mesmo tempo confiantes em respeitar nossos espaços , sabendo que o melhor momento chegará para ambos.

Uma criança educada assim de forma resistente será daquele tipo de adulto que temos prazer em conhecer, aqueles adultos seguros, que temos vontade de ficar perto, de descobrir seus mistérios, pois é bem resolvido, sabe esperar para que as coisas aconteçam e melhor ainda, sabe respeitar os espaços. Afinal. ele foi ensinado desde cedo não é?

Dose seu tempo e tenha um adulto saudável.

Boa Sorte!

Suellen L, Maper


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Criando Laços




Os laços atam nossos corações, fazendo com que a vida que parecia ser superficial fique profunda. Podemos ter laços de sangue, laços de amizade, laços de alma. E todas as vezes que laçamos esses sentimentos é porque fomos mais profundamente do que imaginávamos que pudêssemos ir. Os laços são nada mais nada menos que sentimentos novos que criamos com alguém.

Fazemos nascer nas pessoas coisas que elas ainda não haviam sentindo . Damos a elas a oportunidade de experimentar o amor, aquele amor que gosta de nos ver sorrindo. Sabendo o que deve fazer para nos deixar alegres , e isso causa nelas uma sensação de se sentir útil e vivo. E sentindo-se assim as pessoas se aprofundam em nós e nós nelas, criando assim os laços.

Quando alguém mergulha em nós somos testados a nos ver como num espelho e encontrar as coisas que estão sendo mal refletidas e por causa dessas pessoas aprofundadas em nós, tomamos ciência dos nossos defeitos, pois com amor alguém que aprendeu a nos conhecer nos mostra onde podemos melhorar.


É por isso que é tão importante deixar que as pessoas se aproximem, se formos feitos de carne e sentimento , iremos atrair aquilo que somos. Claro que ser reservado é algo bom e até nos protege, porque nesta condição podemos observar melhor as coisas. 

Porém não podemos ser somente reservados, precisamos no sociabilizar, precisamos deixar entrar, mesmo com medo de sair. Precisamos deixar que fique quem tem que ficar, por aquilo que somos e aprendemos ser , muitas vezes com aquele que deixamos um dia entrar . Os laços criados são formas de encarar o medo de se relacionar, ainda que um dia haja perda, só perdemos o que um dia foi nosso.

Como é bom poder dizer, ''meu amigo'', ''meu pai'', ''meu filho'', ''minha família''. A sensação de pertencer é a certeza de que criamos um laço, de que nos aprofundamos em alguém e nos deixamos ser aprofundados. 

As crianças que chegam no mundo e esperam que o tempo revelem quem elas são, precisam de laços seguros, precisam de muito mais que nossas presenças adultas e conflitantes para elas. Precisam que a gente  programe algo que será somente vivida com  elas. Com isso, criamos nela a sensação de importância , de utilidade e esse sentimento gera um laço de amizade maternal ou paternal, porque sim, somos pais, mas podemos ser amigos se assim quisermos, porque amizade não está no tempo ou hierarquia, está no laço que criamos.


Evoluindo nisso a cada momento novo vamos nos transformando em pessoas melhores e transformando pessoas melhores ao nosso redor. As vezes ficamos confusos com essa mudança abrupta de mundo e de valores das pessoas, mas as pessoas que hoje estão nos fazendo estranhar o mundo, um dia foram crianças e alguém teve a oportunidade de fazer algo mais do que a deixar no vide game, TV e brinquedos eletrônicos . 

Mas não o fez e elas não podem viver algo que não foi produzido nelas.

Temos uma nova geração chegando, temos pessoas cada vez mais evoluídas, instruídas e ocupadas. Diante disso como fazer para não deixar o mundo na mesmice e no medo de que nada poderá mudar? Porque não começarmos criar algo nosso para ser vivido com alguém nosso? Assim essas crianças quando tiverem aqueles que serão seus, ainda que estejam muito ocupadas na vida, saberão como reinventar e criar laços com eles.

Isso poderá quem sabe diminuir a sensação de distância que todo mundo anda querendo de todo mundo. E aproximando aos poucos , cada um de nós pode fazer algo para melhorar a relação social das pessoas, a começar pelas crianças.

Boa sorte!

Suellen L. Maper


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Filhos Adolescentes Não Amam


É estranho pensar que o adolescente não ama né? Ok, nem sempre é literal, porém existe a real dificuldade para eles de entender e até vivenciar o amor .  Eles estão envolvidos com o novo mundo deles. Esse mundo faz com que eles deixem para traz tudo que pareça careta, e o amor parece bem isso. Eles agora precisam se alocar no mundo, se encaixar em alguma sociedade e vão fazer de tudo para mostrar que são acima da média. Não são sentimentais e nada dessas coisas de família.

Eles estão cheios de dúvidas, temores e inseguranças e sim, eles precisam mais do nosso amor do que nós do deles. Agora chegou a hora de mostrarmos o tal amor "incondicional" que tanto pregamos por aí. Filhos adolescentes são complicados para nós, complexos e muitas vezes estamos distante do que já vivemos em outros tempos, o que dificulta a real necessidade deles de serem entendidos.

Esse é o momento de ama-los, de querê-los por perto, ainda que seja difícil conviver com alguém que ama o quarto escuro e bagunçado. Ainda que seja complicado entender como alguém vive tão bem sozinho. Mas não, eles não vivem tão bem sozinhos, precisam se auto afirmar, se reconhecer nesse novo mundo.


Agora mais do que nunca as músicas, os filmes, as pessoas, o mundo precisa fazer sentindo.  Tudo que foi pregado e falado precisa ser vivido por eles. Uma mãe atenta pode ter sucesso nessa fase tão estranha para todos. Porém todos nós de uma forma mais leve ou mais intensa passamos por isso.

Cada um demonstra consciente ou inconscientemente sua personalidade brotando através da adolescência . Na infância ela foi moldada, foi até mesmo plantada , mas só agora está nascendo e infelizmente nasce cheia de espinhos. Quanto mais personalidade essa pessoa for carregar mais ela terá uma adolescência que gostamos de diagnosticar como "rebeldia". Essa personalidade será um defensor do seu filho quando você não estiver mais por perto.

Não somos nós que temos que esperar que eles nos encham de carinho e que nos encham de elogios e amores. Eles estão sim confusos e tudo que se parecer mais seguro será bom para eles. Por vezes estamos trabalhando acreditando que eles entendem que é para o bem deles, mas não, eles não entendem perfeitamente, eles aceitam , pois precisam  ficar sós. Assim ouvem as músicas que querem, jogam os jogos que querem , falam com os amigos como querem.

Sim, somos nós que temos que mostrar amor incondicional, ficar ligando para saber onde estão. Não espere essa responsabilidade  neles, se quiser que isso aconteça tenha muita paciência . O ensine com o máximo de amor agora. Eles só entenderão algo se for o máximo possível compreendidos também.
                                                               


Então ligue você, pergunte você , não espere-o falar. Apenas  exija o telefone ligado.

Filhos podem ter adolescências variadas, em idades variadas, temos nós que ficarmos de olho, atentos a esse novo mundo para eles. Precisamos ser presentes. Uma criança lida melhor com ausência dos pais do que um adolescente. As crianças tem um mundo de fantasias só delas, onde é bem possível encaixar você. Essa distância dói  ainda mais nos  pais na infância do que nos filhos. Mas com os adolescentes é tudo ao contrário.

Sim, eles parecem querer ficar sozinhos, parecem querer se isolar, parecem ter vergonha de tudo. Mas eles estão nos observando e contrastando aquilo que foi absorvido na primeira idade. 
"Se é verdade que ela me ama tanto assim, ela vai suportar certas coisas não é?" Eles se perguntam até que começam os testes reais.

Quando eu chamei atenção para o titulo ," filhos adolescentes não amam", eu não estava afirmando que eles não amam, mas afirmando que eles não sabem amar, não sabem demonstrar, ainda que sintam. É um mundo vago. Eles não tem a real dimensão de que a vida é mesmo curta. Que a vida é mesmo para ser levada a sério. Que tudo que fica são os sentimentos que damos e recebemos.

Essa coisa toda, fica clara para o adulto. Mas até para o adulto conceber o melhor disso é necessário que ele tenha sido amado na fase mais complicada da vida dele. E mais que isso . É necessário que ele tenha provado desse amor. Todos nós sabemos que falar é fácil. Precisamos sair da linha de conforto agora.

Que tal ir até o quarto de seu filho e abraça-lo ? Assim do nada mesmo... E ah? Não, não precisa falar nada. Não precisa perguntar ou cobrar nada. Só abrace-o. Somente diga que ama saber que ele está ali  no quarto e que faz parte da família. Que a família não seria a mesma sem ele. Independente de como foi o comportamento dele. Simplesmente faça.


Não importa se ele ficará estático, que ele não demonstrará nada agora, que ele fique surpreso. Seja qual for a reação dele, você estará plantando uma semente que será colhida em breve. Ele mudará a postura defensiva . Mas não faça esperando. Faça com a certeza de que essa é a sua parte como mãe  ou pai. Faça porque sua parte ninguém pode fazer .

Se você foi escolhido para estar presente nessa vidinha, simplesmente esteja presente. É sempre mais fácil fugir quando não conseguimos vencer algo, mas esse não é o perfil de bons pais. Muitos pais queriam estar agora abraçando seus filhos adolescentes, mas infelizmente não podem. Todavia, você pode!

Chega de adiar a compreensão que é necessário partir de você.

Boa Sorte!


Suellen L. Maper