sábado, 7 de janeiro de 2017

O que a Mídia me vende eu não compro



 A mídia vende para nós ainda em tenra idade o que "seria" um cabelo perfeito, um corpo ideal, um rosto bonito e uma vida dos sonhos. Com isso crescemos acreditando no que nos foi imposto e assim achando sermos tão diferentes ,seguimos acreditando que somente nós somos assim . Por isso vamos em busca do que nos é imposto.

Na maioria das vezes ficamos ansiosos, porque a não aceitação é mais complicada ainda do que tentar correr atrás das mil cirurgias que nos colocará  na medida certa para competirmos internamente é claro, com as pessoas que a mídia coloca  como padrão de beleza.

Hoje podemos ver um pouco mais de beleza variada, mesmo assim ainda estamos distantes de aceitar o que é diferente, aquilo que nos foi imposto e que as vezes nós nem mesmo somos, mas não queremos ver nada que seja contraditório aquilo que já nos adaptamos ver.

Precisamos mudar isso com a máxima urgência , precisamos implantar nos corações de nossos filhos que beleza está muito além de tudo que vemos por aí. Que é nossa a dificuldade de encarar o que não está na mídia aparecendo com constância .

Quando era pequena tinha uma cabelo bastante complexo, pois além de bastante cacheado era muito volumoso, e ja sabem né? Uma criança não sabe bem cuidar de seus cabelos e exatamente por não ter um cabelo lisinho como mandava o '' figurino'' eu ganhei vários e vários apelidos. Talvez por isso durante anos usei minhas madeixas bem presas e fora do alcance de piadinhas.

Anos mais tarde quando aprendi a cuidar de meu cabelo, vi que poderia fazer muitas coisas com ele. Aprendi a diminuir seu volume, ou até mesmo aumentar, sim aumentar, porque hoje em dia me sinto a vontade para usa-lo de várias formas. Não somente cacheado, não somente escovado, não somente preso num lindo coque , nem solto. Meu cabelo se tornou algo divertido , no qual brinco com vários penteados e assim quase nunca me veem do mesmo jeito.

Isso demorou bastante tempo, quando tinha dez anos tinha um black power muito interessante , num rosto de menina branquinha, de olhos castanhos bem claros e sorriso amigável . Bem longe do padrão da mídia, porém com minha beleza real. Quando comecei ganhar meus primeiros elogios pela segurança com que andava por aí fui me tornando mais feliz comigo no geral.

Hoje na maioria das vezes uso meu cabelo de forma prática , mas sem problema nenhum caso ele tenha que se mostrar como é. Para isso foi preciso muito trabalho dentro de mim, foi preciso acreditar que mesmo longe de tudo que representasse o mundo da beleza eu era sim linda e poderia ser feliz comigo mesma.

Num desfile de moças bonitas da minha cidade no ano de 1998 , alguém me disse que eu tinha um rosto muito bonito, mas não me encaixava nos padrões de corpo bastante magro exigido pela agencia.  Eu não era gorda, nem mesmo gordinha, apenas tinha muito busto e um pouco de quadril a mais . Mesmo assim não desisti. Contei para minha mãe o que ouvi na inscrição e logo ela me apoiou a ponto de me fazer desfilar.

Eram muitos os desafios, timidez a ser vencida, cabelo e postura. Depois de pouco mais de três meses lá estava eu desfilando com muitas garotas lindas. E para minha surpresa, sim, ganhei em primeiro lugar aquele desfile de 1 .Garota Rodeio, do ano de 1998 . Era um rodeio de temporada, por isso não era Rainha, mas era equivalente a isso naquele concurso.

Muitas vezes depois fui convidada e desafiada a participar de concursos de belezas, até desafios fora de concursos faziam comigo, falando que eu estava entre as moças mais bonitas da cidade, outros dizendo que eu era a mais, enquanto uns diziam  que eu estava entre elas e assim fui crescendo e preferindo  me afastar dos elogios exagerados que queriam me fazer aceitar.

Eu preferia os elogios reais, daqueles que quando você passa um tempo com alguém e pensa que ela tem uma luz marcante.

Depois daquele desfile tive a consciência que o preço que se paga para ser o primeiro em algo é muito mais do que eu queria, pois entendi que queria ser a primeira para mim, a primeira dentro de mim, queria eu mesma fazer minhas exigências queria eu mesma ditar minhas regras. Não,absolutamente não queria viver de dietas loucas, com cabelos extremamente ditados por alguém como deveria ser tudo,

Mas toda experiência é válida e isso foi importante para amadurecer as coisas dentro de mim.

Por todas essas coisas acho importante começarmos a bater de frente com a ditadura da beleza, comprar bonecas diferenciadas, conviver com todos os tipo de pessoas, cores, raças, religiões. Mostrar o belo no que de fato é belo. No coração, na amizade , no diferente.

Só podemos cobrar um mundo mais justo se começarmos a fazer justiça com as pessoas e com a gente mesmo. Se ensinarmos nossos filhos que com ou sem olhos azuis ele é lindo e assim por diante. Elogios isoladamente faz bem melhor do que elogios forçado por uma maquiagem, por uma roupa, por um objeto e sucessivamente.

Claro que pinto o cabelo a meu gosto, hora deixo natural, lavo e não escovo, outra escovo. Claro que se precisar para que eu somente eu, me sinta bem farei uma plástica se o local me incomodar muito. Mas seu eu estiver bem comigo mesma, jamais em circunstância alguma farei algo para agradar uma sociedade que eu mal conheço e que de nada me agrada.

Na tentativa do igual somos todos diferentes, na tentativa do diferente somos todos iguais. Ser a essência é a única coisa que difere o natural do artificial.

Suellen L. Maper.

2 comentários:

  1. ainda não li seu artigo, mas o tema, pra mim, é muito interessante e eu quero ler quando tiver mais tempo. Acho que aquela música do Roberto Carlos é apropriada: "coisa bonita... coisa gostosa... quem disse que precisa ser magra pra ser gostosa?"

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  2. Meu sonho era ter cabelos cacheados...como eu sonhava...mas como no seu artigo vc diz temos que nos aceitar como somos...todos nós nascemos como uma beleza individual...pode ter olho e claros ou escuros...somos e temos nossa beleza que Deus nos deu...Belo artigo...bjs! Aguardando o proximo!

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