quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Curando o Trauma
Há muito que se houve que com poucas coisas podemos traumatizar um ser humano ainda mais se ele for uma criança. Fiquei pensando no significado de trauma, porque muitas vezes nem mesmo temos a lembrança de algo que nos incomoda inconscientemente . O problema na palavra trauma, seria a marca. Sim, esse nome poderia ser usado para isso. Um ser humano marcado por algo.
Uma marca que muitas vezes somente o mais profundo daquela pessoa pode denunciar, por vezes nem ela mesma sabe o que causa a aparência dessa marca em determinadas situações . Ficar atento a você e as pessoas que com você convivem , seria importante para que pudesse haver o máximo de resolução.
Lembro que eu era uma criança bastante feliz, comunicativa e por vezes entrava nos ônibus da vida, com minha tia ou a minha avó a cantarolar. E elas deixavam, pois meu jeito bem dócil quebrava qualquer gelo. Fosse numa viagem distante ou rápida.
Tinha muita satisfação em conhecer os motoristas e saber seus nomes e brincar com os passageiros . Talvez eu já tenha feito tantos amigos "passageiros" nos dois sentidos em minha infância, quanto fiz conhecidos na vida adulta. Digamos que eu era uma criança marcante e absolutamente educada.
Sinto e sei que era um prazer para elas passearem comigo, pois durante um tempo eu tive a linda missão de alegrar a vida delas.
Num dado momento da minha vida, quase deixando a infância e trocando as brincadeiras por um sutiã eu comecei a demonstrar os primeiros sinais de "rebeldia" que por vezes foi interpretada como exagerada. Eu estava começando a entender certas coisas , mas apesar disso tinha que começar a conviver com o absoluto silencio, que mais uma vez foi interpretado como fazendo parte absoluta, de uma adolescência precoce .
A criança feliz, e cheias de cantorias já era triste, complexa. E viajar , sorrir ou conversar não era mesmo mais uma opção legal. A vontade de ficar calada era real. E as pessoas tendem a deixar os problemáticos de lado. E por minha natureza extremamente educada, nas boas ou nas más situações eu jamais iria falar algo que não me fosse questionado.
E crescendo assim calada entre um rompante e outro era que se ouvia minha voz. As vezes um pouco monstruosa, não sei ao certo. Mas a raiva que naquele momento eu nutria em especial de minha mãe me fazia ter um timbre bastante intimidante e uma postura um tanto louca. O que afastava de vez as pessoas de perto de mim.
Pensava que se eu não podia chamar a atenção das pessoas de forma saudável já que isso eu não era mais, eu chamaria de alguma outra forma. E foi saindo com pessoas erradas, indo para lugares duvidosos que encontrei uma maneira de fazer minha família se preocupar comigo e talvez me dirigir nem que fosse uma dura palavra de ofensa, que mesmo me machucando me fazia ter a sensação de pertencer a algo ou alguém.
Onde quero mesmo chegar com isso. É que eu sei que deixei muitas pistas pelos caminhos, sei que tentei com todas as minhas forças sair daquela situação constrangedora de ser molestada muitas vezes pelo meu padrasto. Tentei do meu jeito e até mesmo repetindo de ano que me perguntassem o que poderia estar havendo de errado. E mesmo assim eu temia dizer , devido as ameaças, mas eu acreditava que meus olhos diriam as coisas para quem neles olhassem .
Eu sei que em algum momento você deixou as pistas que ninguém pegou. Ou que infelizmente ignoraram. E o tempo cruelmente vai passar com a marca da tua dor, sem que ninguém queira
cura-la. Sei que milhões de vezes você foi julgado e mal interpretado . E assim escolheu fugir dos julgamentos.
Nessas lutas constantes contra você mesmo , você se perdeu dentro de si. Já se fechou para o mundo, ou se abriu demais para pessoas que podem te oferecer o máximo de problemas. Afinal, agora você precisa de alguém mais problemático que você para que cuidando ou achando isso, se sinta mais útil.
Enfim, temos duas escolhas. Eu tive. Portanto você também. A vida vai passar com você fazendo ou não fazendo algo pela sua vida. Antes de testar se entregar totalmente, teste lutar completamente. Sei que nada parece favorecer, mas sim favorece. Contando que enjoemos de sermos vitimas, contanto que queiramos ser autores da própria história .
Se tão somente eu não fizer nada , alguém vai escrever minha história para mim. Determinar meu final, ditar as minhas regras. E isso pode ser ainda mais fatal que passar por qualquer tipo de trauma. Não, não posso ser hipócrita em dizer que não ficará absolutamente nenhuma sequela, pois ficará. E as vezes ela te trairá e te fará se sentir feio , mas é ela que nos lembra também que a luta não acabou.
Que a missão interna é contínua. Que a exigência pessoal é maior que a externa. Sair da vida melhor do que entramos é uma boa motivação. Ainda acima disso. Concentrar forças em algo que faça valer a pena, mais para nós do que para os outros.
Se seu sonho é a faculdade que seja. Faça-a! Simplesmente gaste um tempo nisso. Se for uma família lute, mas construa uma. Seja o que for, comece a construir. A cura vem quando nos colocamos em ação. E essa ação soa para nós como super, (acima das forças), muito além do que seriamos capazes, se não fosse juntar ação e super o resultado não daria Superação.
O processo de cura é tão continuo quanto continuar trabalhando e vivendo os dias que nos foram dados.
Seus filhos, seus pais e as pessoas que te amam , precisam saber que apesar de seu amor por eles, você precisa da paciência deles para que o ciclo vicioso não de continuidade . Principalmente crianças precisam entender as coisas da melhor formas possível.
Não sejamos traumatizados, não sejamos pais traumáticos.
Abuse dessa comunicação , isso também ajudará a vermos as palavras não só na nossa mente, mas de forma clara colocada para fora.
Temos muito o que continuar nesse assunto ainda e iremos, mas agora que tal um café ? (risos)
Boa Sorte!
Suellen L . Maper
sábado, 7 de janeiro de 2017
O que a Mídia me vende eu não compro
A mídia vende para nós ainda em tenra idade o que "seria" um cabelo perfeito, um corpo ideal, um rosto bonito e uma vida dos sonhos. Com isso crescemos acreditando no que nos foi imposto e assim achando sermos tão diferentes ,seguimos acreditando que somente nós somos assim . Por isso vamos em busca do que nos é imposto.
Na maioria das vezes ficamos ansiosos, porque a não aceitação é mais complicada ainda do que tentar correr atrás das mil cirurgias que nos colocará na medida certa para competirmos internamente é claro, com as pessoas que a mídia coloca como padrão de beleza.
Hoje podemos ver um pouco mais de beleza variada, mesmo assim ainda estamos distantes de aceitar o que é diferente, aquilo que nos foi imposto e que as vezes nós nem mesmo somos, mas não queremos ver nada que seja contraditório aquilo que já nos adaptamos ver.
Precisamos mudar isso com a máxima urgência , precisamos implantar nos corações de nossos filhos que beleza está muito além de tudo que vemos por aí. Que é nossa a dificuldade de encarar o que não está na mídia aparecendo com constância .
Quando era pequena tinha uma cabelo bastante complexo, pois além de bastante cacheado era muito volumoso, e ja sabem né? Uma criança não sabe bem cuidar de seus cabelos e exatamente por não ter um cabelo lisinho como mandava o '' figurino'' eu ganhei vários e vários apelidos. Talvez por isso durante anos usei minhas madeixas bem presas e fora do alcance de piadinhas.
Anos mais tarde quando aprendi a cuidar de meu cabelo, vi que poderia fazer muitas coisas com ele. Aprendi a diminuir seu volume, ou até mesmo aumentar, sim aumentar, porque hoje em dia me sinto a vontade para usa-lo de várias formas. Não somente cacheado, não somente escovado, não somente preso num lindo coque , nem solto. Meu cabelo se tornou algo divertido , no qual brinco com vários penteados e assim quase nunca me veem do mesmo jeito.
Isso demorou bastante tempo, quando tinha dez anos tinha um black power muito interessante , num rosto de menina branquinha, de olhos castanhos bem claros e sorriso amigável . Bem longe do padrão da mídia, porém com minha beleza real. Quando comecei ganhar meus primeiros elogios pela segurança com que andava por aí fui me tornando mais feliz comigo no geral.
Hoje na maioria das vezes uso meu cabelo de forma prática , mas sem problema nenhum caso ele tenha que se mostrar como é. Para isso foi preciso muito trabalho dentro de mim, foi preciso acreditar que mesmo longe de tudo que representasse o mundo da beleza eu era sim linda e poderia ser feliz comigo mesma.
Num desfile de moças bonitas da minha cidade no ano de 1998 , alguém me disse que eu tinha um rosto muito bonito, mas não me encaixava nos padrões de corpo bastante magro exigido pela agencia. Eu não era gorda, nem mesmo gordinha, apenas tinha muito busto e um pouco de quadril a mais . Mesmo assim não desisti. Contei para minha mãe o que ouvi na inscrição e logo ela me apoiou a ponto de me fazer desfilar.
Eram muitos os desafios, timidez a ser vencida, cabelo e postura. Depois de pouco mais de três meses lá estava eu desfilando com muitas garotas lindas. E para minha surpresa, sim, ganhei em primeiro lugar aquele desfile de 1 .Garota Rodeio, do ano de 1998 . Era um rodeio de temporada, por isso não era Rainha, mas era equivalente a isso naquele concurso.
Muitas vezes depois fui convidada e desafiada a participar de concursos de belezas, até desafios fora de concursos faziam comigo, falando que eu estava entre as moças mais bonitas da cidade, outros dizendo que eu era a mais, enquanto uns diziam que eu estava entre elas e assim fui crescendo e preferindo me afastar dos elogios exagerados que queriam me fazer aceitar.
Eu preferia os elogios reais, daqueles que quando você passa um tempo com alguém e pensa que ela tem uma luz marcante.
Depois daquele desfile tive a consciência que o preço que se paga para ser o primeiro em algo é muito mais do que eu queria, pois entendi que queria ser a primeira para mim, a primeira dentro de mim, queria eu mesma fazer minhas exigências queria eu mesma ditar minhas regras. Não,absolutamente não queria viver de dietas loucas, com cabelos extremamente ditados por alguém como deveria ser tudo,
Mas toda experiência é válida e isso foi importante para amadurecer as coisas dentro de mim.
Por todas essas coisas acho importante começarmos a bater de frente com a ditadura da beleza, comprar bonecas diferenciadas, conviver com todos os tipo de pessoas, cores, raças, religiões. Mostrar o belo no que de fato é belo. No coração, na amizade , no diferente.
Só podemos cobrar um mundo mais justo se começarmos a fazer justiça com as pessoas e com a gente mesmo. Se ensinarmos nossos filhos que com ou sem olhos azuis ele é lindo e assim por diante. Elogios isoladamente faz bem melhor do que elogios forçado por uma maquiagem, por uma roupa, por um objeto e sucessivamente.
Claro que pinto o cabelo a meu gosto, hora deixo natural, lavo e não escovo, outra escovo. Claro que se precisar para que eu somente eu, me sinta bem farei uma plástica se o local me incomodar muito. Mas seu eu estiver bem comigo mesma, jamais em circunstância alguma farei algo para agradar uma sociedade que eu mal conheço e que de nada me agrada.
Na tentativa do igual somos todos diferentes, na tentativa do diferente somos todos iguais. Ser a essência é a única coisa que difere o natural do artificial.
Suellen L. Maper.
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